Émile Durkheim e os fatos sociais

Émile Durkheim é considerado, ao lado de Karl Marx e Max Weber, um dos pais da sociologia. Formado em Filosofia, tomou a sociedade como objeto legítimo de estudo, com natureza e dinâmica próprias, rompendo com a tendência então dominante de reduzir os fenômenos sociais a experiências individuais.
Durkheim foi influenciado pelo positivismo de Augusto Comte, para quem a vida social era regida por leis e princípios a serem descobertos a partir de métodos associados às ciências físicas e biológicas. Essa influência aparece de maneira muito clara nas metáforas por ele utilizadas para comparar a sociedade a um organismo vivo.
Atendo às instituições responsáveis pela ordem social, Durkheim estudou a religião como um sistema de forças cuja função era criar coesão social. Preocupou-se também com o estudo das relações entre as estruturas sociais e o comportamento individual, tema de O suicídio (1897). Conceito como o de fato social e o anomia mostram seu esforço em compreender a sociedade a partir de suas leis e regras.
Durkheim foi o primeiro professor de sociologia em uma universidade e influenciou importantes autores, como Marcel Mauss e Louis Dumont. Suas principais obras, além da já citada, são Da divisão do trabalho social (1893), As regras do método sociológico (1895) e As formas elementares da vida religiosa(1912).
Fatos sociais
“os fatos sociais são coisas”. Com essa afirmação, Durkheim apresenta em seu livro, As regras do método sociológico, um de seus mais conhecidos conceitos. Mas a que “coisa” esse conceito refere? A qualquer “coisa”, própria da sociedade a que pertence um indivíduo, capaz de exercer algum tipo de coerção sobre ele, Isso significa que o fato social é independente e exterior ao indivíduo, e é capaz de condicionar ou mesmo determinar suas ações.
São fatos sociais, por exemplo, as regras jurídicas e morais da sociedade, seus dogmas religiosos, seu sistema financeiro e até mesmo seus costumes – ou seja, um conjunto de coisas aplicáveis a toda sociedade, independentemente das vontades de cada um. Na medida em que os fatos sociais acabam por moldar o comportamento de cada indivíduo a partir do modelo geral, a coerção que eles exercem garante, segundo Durkheim, o funcionamento da sociedade.
Os fatos sociais podem, assim, ser definidos por três princípios básicos:
· a coercitividade, ou força que exercem sobre os indivíduos, obrigando-os, através do constrangimento, a se conformar com as regras, normas e valores vigentes;
· a exterioridades, ou fato de serem padrões exteriores aos indivíduos e independentes de sua consciência;
· a generalidade, ou fato de serem coletivos e permearem toda a sociedade sobre a qual atuam.
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